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quarta-feira, 17 de outubro de 2012

UFC - Ultimate Fighting Championship



O Ultimate Fighting Championship (UFC) é a maior organização de artes marciais mistas do mundo. Inspirado por torneios de Vale Tudo de origem brasileira, é atualmente comandada pela Zuffa Entertainment. Lutadores desse esporte praticam diferentes artes marciais, tais como jiu-jitsu brasileiro, boxe, wrestling, muay thai, judô, karatê, tae kwon do, entre outras.
História
Origem
Nos primeiros eventos, ocorreram torneios com oito ou dezesseis lutadores, promovidos pela organização Semaphore Entertainment Group (SEG) em associação com a Wow Promotions (liderada por Art Davie e Rorion Gracie), e tinha como intuito descobrir o melhor lutador do mundo, não importando o estilo de artes marciais praticado. Os competidores deveriam ganhar três lutas para se sagrarem campeões do Ultimate Fighting Championship. O primeiro evento, realizado em 1993, foi ganho pelo brasileiro Royce Gracie.
Por possuir poucas regras (na primeira edição realizada só não era permitido morder ou colocar os dedos nos olhos do oponente), o Ultimate era conhecido como "luta de ringue sem restrições" (no holds barred fighting), sendo, ocasionalmente, brutal e violento, despertando muitas críticas.
Desde sua primeira edição, os eventos ocorrem em ringues com forma de octógono, fechado por uma grade. Nunca se registrou morte.

Decadência e Reorganização
O UFC se tornou um sucesso da televisão na modalidade pay-per-view. A natureza do esporte logo chamou a atenção das autoridades e eventos do UFC foram banidos de diversos estados americanos. Após repetidas críticas e diversos protestos feitos pelo senador republicano do Arizona, John McCain, o Ultimate saiu dos principais pay-per-views. O Ultimate continuou a ser exibido no pay-per-view da DirecTV, porém com audiência bem menor.
Por essas pressões políticas que levaram à sua decadência, o UFC se reformulou. De forma lenta, foram sendo criadas mais regras limitando a versatilidade do esporte, sob a supervisão de comissões atléticas, visando ao aumento da aceitabilidade social. Deixando de lado o slogan "não há regras" (there are no rules) e criando a denominação "artes marciais mistas" (mixed martial arts), o UFC ressurgiu de seu isolamento para se tornar mais socialmente aceitável, recuperando sua posição na tv a cabo. Continuando a trabalhar com as comissões atléticas que controlavam a modalidade, eventos passaram a ser realizados em lugares menores como Iowa, Mississippi, Luisiana, Wyoming e Alabama. O SEG não conseguiu realizar vídeos do UFC 23ao UFC 29. Junto com outros eventos nas seções americanas, o UFC conseguiu o primeiro evento sancionado de artes marciais mistas no dia 30 de setembro de 2000, em Nova Jérsei.


Zuffa
Após uma longa batalha para ser sancionado e à beira da falência, o SEG se reuniu com os executivos do Station Casinos, Frank e Lorenzo Fertitta e o promotor de boxe Dana White em2001. Um mês depois, em janeiro de 2001, os Fertittas e Dana White compraram o UFC por US$ 2.000.000,00 (dois milhões de dólares) e criaram a Zuffa, empresa que passava a ter a patente controladora do campeonato. Tendo relações com a Comissão Atlética de Nevada (Lorenzo Fertitta já havia sido seu membro), a Zuffa conseguiu assegurar aprovação para realizar lutas em Nevada em 2001. Pouco tempo depois, no UFC 33, a competição retornou ao pay-per-view da tv a cabo americana.
O Ultimate continuou crescendo em popularidade após a compra pela Zuffa, devido a fortes propagandas, grandes patrocínios, a volta ao pay-per-view e à venda de DVDs. Com grandes eventos em lugares famosos como o Cassino Trump Taj Mahal e a MGM Grand Garden Arena e com as vendas em pay-per-view voltando a crescer, o Ultimate conseguiu seu primeiro acordo na televisão com a Fox Sports e com o The Best Damn Sport Show, que realizou a primeira luta de artes marciais mistas na televisão a cabo americana, em junho de 2002, noUFC 37 (Vitor Belfort vs. Chuck Liddell). Em seguida, a Feature Story News passou a transmitir os melhores momentos das lutas. No UFC 40, as compras de pay-per-view renderam US$ 978.150,00 em uma programação que tinha, como evento principal, a luta entre Tito Ortiz e Ken Shamrock. Apesar do sucesso, o UFC ainda apresentava dívidas e, em 2004, a Zuffa havia perdido US$ 78.500.000 com a compra.
Atualmente, o valor de mercado do UFC gira em torno de US$ 1.000.000.000,00 (um bilhão de dólares).


Aumento na popularidade
Após ser eliminado em um "reality" show chamado "big brother turcomenistao", os irmãos vedita sentiram oscar alho gerado por esse tipo de dor uma abertura no seu orifico anal depois de morrer 3 veses para um chines de dez quilos eles decidiram acabar com isso decidiram então, que o UFC teria seu próprio "reality show", o The Ultimate Fighter (TUF). Varias emissoras rejeitaram o projeto, que foi aceito pela Spike TV. Com a oferta de arcar com os 10 milhões de custos com a produção, eles conseguiram fechar o negócio. Em janeiro de 2005, a Spike TV lançou a série e o show se tornou um sucesso imediato, tornando-se um dos programas com mais audiência da Spike TV e transmitindo uma luta memoravel entre Forrest Griffin contra Stephan Bonnar nas finais, que ficou conhecida como a luta do ano. Depois dessa temporada, já ocorreram outras 14 temporadas nos Estados Unidos e uma no Brasil.
Seguido pelo sucesso do reality show, a Spike TV levou ao ar o UFC Unleashed, uma hora de programa semanal, com lutas de diferentes eventos, e também assinou um contrato para transmitir o UFC Fight Night.
Com visibilidade alardente, os números de pay-per-view aumentaram exponencialmente. O UFC 52, primeiro evento após o The Ultimate Fighter, foi vendido para 280.000 pessoas pelo pay-per-view, quase o dobro de seu antigo recorde. A revanche entre Couture e Liddell no UFC 57 teve 410.000 compras de PPV. O Evento UFC 60 que contou com o brasileiro Royce Gracie teve nada menos que 625.000 compras de PPV. UFC 61, teve 775.000. Desde então as vendas do PPV do UFC não param de crescer. A média atual é de mais de um milhão de vendas por eventos, gerando $222,766,000 somente com vendas do PPV em 2006, superando o boxe e a WWE.
O UFC atualmente tem exibido alguns eventos ao vivo na TV Aberta americana. Eles são exibidos pelos canais Fox, FX e Fuel TV. Todas elas já exibiram quatro eventos em TV Aberta cada, sendo a Fox a única a transmitir uma disputa de cinturão. O UFC planeja mais eventos para ambas. A Fuel TV e a FX já têm até a sexta edição enchaminhada, enquanto a Fox têm até a quinta


Dominando o mercado
Em março de 2007, os irmãos Fertitta anunciaram a compra do PRIDE Fighting Championships, prometendo manter ambos os eventos e possibilitar um intercâmbio de lutadores. Porém isso não aconteceu, nenhum evento no Japãoocorreu com a organização dos americanos, e o PRIDE foi extinto, tendo o UFC apenas incorporado parte de seus lutadores ao seu elenco. Alguns nomes do PRIDE acabaram indo para organizações menores. Com a extinção do PRIDE e a incorporação de alguns dos seus principais lutadores, o UFC tornou-se indiscutivelmente o mais prestigiado evento de MMA do mundo. Em 2008 foi criado o DREAM, evento japonês tido como o sucessor do antigo PRIDE.
No mês de Outubro de 2010 o presidente do UFC e representante frente a Zuffa Dana White, anunciou que o WEC uma organização de lutadores de pesos inferiores a 70Kg, que pertence a Zuffa iria se fundir com o UFC, a fusão teve inicio oficial em 1º de janeiro de 2011 no UFC 125: Resolution.
Em 14 de Março de 2011, foi anunciado que a Zuffa comprou seu maior rival nos EUA o Strikeforce, o evento porém não será extinto de imediato, até onde o presidente do UFC Dana White afirmou, o evento ocorrera até o fim do contrato com o canal Showtime.


Transmissão no Brasil Ao Vivo na Globo
O primeiro evento do UFC transmitido em TV aberta no Brasil foi o UFC 37.5, em 2002 que foi transmitido pelo SBT e a luta principal foi a disputa pelo cinturão dos meio-pesados entre Vitor Belfort e Chuck Lidell.
Atualmente os eventos do UFC são transmitidos ao vivo em TV por assinatura via pay-per-view pelo canal Combate e eram reapresentados pelo canal gratuito RedeTV! de 2009 até 2011. Em 28 de agosto de 2011, o UFC 134 teve transmissão ao vivo em TV aberta no Brasil pela RedeTV!, a emissora ficou em segundo lugar e alguns minutos na liderança em audiência nacional, fazendo as emissoras concorrentes terem interesse neste esporte.
No dia 12 de novembro de 2011 ocorreu a primeira transmisão pela Rede Globo, que seria a detentora dos direitos na TV Aberta no Brasil. Até 2012 serão transmitidas todas as competições do Brasil e três do exterior.
Na madrugada entre os dias 26 e 27 de maio (sábado e domingo, respectivamente), a Rede Globo gerou polêmica após transmitir a luta principal do UFC 146 (Júnior Cigano contra Frank Mir) dizendo ser ao vivo, mais de meia hora depois de ela ter ocorrido. Enquanto a luta acontecia no casino MGM Grand Garden Arena, a Globo exibia o filme A Casa das Coelhinhas no Supercine. Por volta de 1h30, a Globo começou a transmissão do evento, e o narrador Sérgio Maurício anunciou a luta como “ao vivo”, 35 minutos após Cigano vencer o combate. Novamente a Globo transmitiu outra edição do UFC, o UFC 148, dizendo ser ao vivo, porém a luta já tinha acabado a cerca de 30 minutos, gerando revolta nos admiradores do esporte.


Conceitos do UFC
Pesos
O UFC se divide nessas categorias de pesos:
§  Mosca (Flyweight) - até 56,7kg
§  Galo (Bantamweight) - 61,2kg
§  Pena (Featherweight) - até 65,8kg
§  Leve (Lightweight) - até 70,3kg
§  Meio-Médio (Welterweight) - até 77,1 kg
§  Médio (Middleweight) - até 83,9kg
§  Meio-Pesado (Light Heavyweight) - até 93,0kg
§  Pesado (Heavyweight) - até 120,2kg


Regras básicas
Os lutadores se enfrentam num ringue de oito cantos com 3 assaltos de 5 minutos, em caso de decisão de título e luta principal com 5 assaltos de 5 minutos.
Quando um lutador defende mais de duas vezes o cinturão tem o direito de escolher com quem lutar, no caso quem vai lhe render mais dinheiro, ja que não existe o critério de melhor lutador ou quem ganha mais lutas. Por isso nem todas as lutas são surpreendentes como no antigo Pride onde o melhor vencia.
Os resultados das lutas se definem com:
§  Desqualificação - Acontece quando um dos lutadores aplica de forma intencional algum golpe ilegal (como cabeçadas, golpes na região genital, golpes na região anterior à cabeça, entre outros) ou realiza algum movimento proibido de acordo com as regras (segurar nas grades seguidamente, por exemplo). Caso o combate não possa prosseguir, ou o lutador insista em não obedecer às regras, ele será desclassificado.
§  Finalização - Ocorre quando um lutador recebe uma técnica característica da luta agarrada, tais como chaves e estrangulamentos, e demonstra clara desistência, através de batidas no chão do ringue (com os pés ou mãos) ou verbalmente.
Ps: No caso de estrangulamentos, caso o lutador não desista, ele pode desmaiar. Se isso acontecer, o arbitro irá intervir, e será decretada a finalização da mesma forma.
§  Nocaute - Ocorre quando um lutador recebe um golpe legal e fica inconsciente.
§  Nocaute Técnico - Pode ocorrer de diversas formas:
Decisão médica - Ocorre quando o médico julga que o lutador não pode continuar no combate, devido a um corte ou lesão. Portanto, o médico pode encerrar o combate se julgar que a integridade física do lutador estará ameaçada caso continue. Esta decisão não depende do lutador, portanto, por mais que ele queira continuar, se o médico determinar o fim do combate, será a decisão final.
Interrupção do árbitro - Neste caso, o árbitro do ringue encerra a luta por achar que um lutador não está mais se defendendo ou esboçando qualquer reação.
Lesão - Neste caso, o próprio lutador manifesta desistência, ou o árbitro do ringue encerra a luta, sem necessidade de consulta ao médico. Ocorre em casos de lesões mais visíveis, como fraturas ou graves torções.
§  Decisão do júri - Ao término dos 3 ou 5 rounds, 3 juízes decidirão quem é o vencedor. Para isso, eles se utilizam de diversos critérios: agressividade, contundência em pé, domínio no chão, trocações efetivas, agarramentos efetivos, controle da área do ringue e de luta, defesa,etc.



quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Katana


Uma katana, catana ou cataná (em japonês: 刀, katana) é um sabre longo japonês. No entanto, esta palavra foi incorporada na língua portuguesa no séc. XVI, após a chegada dos portugueses ao Japão. Por essa razão, nestes quase quinhentos anos, essa palavra foi perdendo a sua pronúncia japonesa aportuguesando-se e ganhou novos sentidos em português, especialmente nas variantes europeia, africana e asiática, designando uma variedade de objectos como espadas, sabres ou facões. Com o renovar do interesse pela cultura nipónica, nos vários países de língua portuguesa, nos últimos anos, a palavra catana reforçou o seu sentido original. Surgida no Período Muromachi, era a arma padrão dos samurais e também dosninjas para a prática do kenjutsu, a arte de manejar a espada. Tem gume apenas de um lado, e sua lâmina é ligeiramente curva. Era usada tradicionalmente pelos samurais, acompanhada da wakizashi (脇差). A katana era usada em campo aberto, enquanto a wakizashi servia para combate no interior de edifícios. Apesar dos samurais terem desenvolvido tradicionalmente a esgrima usando uma espada manejada pelas duas mãos juntas, existem estilos de kenjutsu que possuem técnicas com ambas as espadas ao mesmo tempo, como por exemplo, o Tenshin Shoden Katori Shinto Ryu e o Niten Ichi Ryu de Miyamoto Musashi. Em sua obra, Gorin no Sho (O Livro dos Cinco Anéis), Musashi advoga o uso das duas espadas, dizendo ser "indigno de o samurai morrer com uma espada ainda embainhada". O conjunto das duas armas chama-se daisho (大小), literalmente "grande e pequeno", e podia ser usado apenas pelos samurais, representando seu prestígio social e honra pessoal. A diferença entre a espada ninja (ninja-to) e a katana samurai se dá na sua forma, sendo que a ninja tem forma reta e ponta também reta, tendo a lâmina não tão afiada (em razão da pratica do "doku no jutsu" - envenenamento), já a samurai possui uma leve curvatura e ponta semi - curva, muito bem afiada. Isso se dá a diferença de que o ninja carrega sua espada nas costas, portanto um corte vertical de cima para baixo, e o samurai levar sua espada na altura da cintura realizando um corte transversal de baixo para cima ou horizontal. A espada Katana era muito mais do que uma arma para um samurai: era a extensão de seu corpo de sua mente. Forjadas em seus detalhes cuidadosamente, desde a ponta, até a curvatura da lâmina eram trabalhadas totalmente a mão. Assim, os samurais virtuosos e honrados faziam de sua espada uma filosofia de vida. Para o samurai, a espada não era apenas um instrumento de matar pessoas, mas sim uma forma de fazer a justiça e ajudar as pessoas. A espada ultrapassava seu sentido material; simbolicamente, era como um instrumento capaz de "cortar" as impurezas da mente. Havia ainda um sabre pequeno, chamado tantô, que era utilizado não apenas para combates, mas também para o ritual do seppuku (suicídio ritual). A diferença básica entre as três era o tamanho, tendo a Katana um comprimento de 60 ~ 90 cm de lâmina (hamon); a Wakizashi entre 30 ~ 60 cm; e o tantô um comprimento de cerca de 30 cm. Cada espadachim escolhia as espadas de acordo com as suas preferências, tanto em termos de forja, quanto em termos de comprimento e curvatura da lâmina. As medidas das espadas japonesas são referenciadas em shaku (equivalente a 30 cm). Qualquer lâmina menor que um shaku é considerada uma tanto; se o comprimento da lâmina for entre um e dois shaku então ela é considerada uma shoto (é a categoria da Wakizachi e Kodachi); se a lâmina possuir um comprimento maior que dois shaku, então ela é considerada uma Katana; e, ainda, se a lâmina tiver de quatro a cinco shaku, ela é considerada uma Masamune (Katana de três punhos) Afora estes, existem muitas outras variantes de sabres japoneses. Kenjutsu, Kendo, Iaidô e Iaijutsu são as artes marciais comumente associadas ao manejo da Katana.
História
A espada foi a arma mais usada no Japão medieval, principalmente após sua unificação pelo Shogun Tokugawa Ieyasu (início do séc XVII), período de muitos duelos entre samurais. Tão grande era sua importância que foi declarada privilégio exclusivo da classe guerreira em 1588. “A espada é a alma do samurai”, disse Tokugawa Ieyasu. Um samurai era facilmente reconhecido pelas ruas por portar duas espadas presas ao obi, uma longa, a Katana (de 60 a 102 cm), usada nas lutas em locais amplos, e uma menor, a Wakizachi (de 30 a 60 cm), para espaços fechados. O Daishô, nome dado ao conjunto, representava o estatuto máximo dos samurais, simbolizando o orgulho e emblema do guerreiro. Havia uma terceira arma, o Tanto, uma faca fina que ficava escondida e era usada só em emergências. A história da Katana está ligada à história do Japão e ao desenvolvimento das técnicas de luta. Sua denominação muda conforme o período ao qual as peças pertencem.
Jokoto ano 795
Koto (espadas antigas) 795-1596
Shinto (espadas novas) 1596-1624
Gendaito (espadas contemporâneas) 1876-1953
Jokoto
Durante o período Jokoto (800 d.C.), as espadas usadas eram retas, com fio simples (a Chokuto) ou duplo (Ken) e pobremente temperadas. Não havia um desenho padrão e eram atadas à cintura por meio de cordas. Evidências históricas sugerem que elas eram jians feitas por artesãos chineses e coreanos que trabalhavam no Japão.
Koto
A partir do período Heian (794-1185), surge o termo Nipponto ou Nihonto, que significava “espada japonesa” (nippon=japão, to=espada). A mudança no estilo de luta criou a necessidade de alteração no seu formato. Não se guerreava mais a pé, mas sim a cavalo. As espadas tornaram-se longas, curvadas, com uma base mais larga e forte e uma ponta bem fina. As espadas desta época são chamadas de Tachi e representam a categoria das antigas espadas ou Koto. Neste período, as inscrições nas espadas derivavam de motivos budistas, representando a forte ligação do cuteleiro com a religião e com seu trabalho. Foi criado o método de forjar com a superfície extremamente dura e o núcleo macio. O período Kamakura (1185-1333), com o Japão sob domínio da classe guerreira, foi considerado a época de ouro da espada japonesa. Muitas espadas consideradas tesouro nacional foram produzidas neste período. A Katana (a clássica arma dos samurais) surgiu no período Muromachi. Com os feudos em guerra, enquanto os exércitos cresciam, os soldados a cavalo se tornavam mais raros e a força principal vinha daqueles que combatiam a pé. Variando entre 60 a 90 cm no comprimento e com lâmina de largura uniforme, eram mais fáceis de carregar e mais rápidas para sacar.

Shinto
Era Edo. Iniciou-se o governo de Tokugawa e, apesar das armas de fogo já fazerem parte do armamento dos exércitos, as espadas ainda eram produzidas e de forma ainda mais refinada, com a matéria-prima mais acessível e a troca de experiência entre os cuteleiros que passaram a viajar com os exércitos. As espadas deste período são conhecidas como espadas novas. Esta fase foi curta, pois com a unificação interna do Japão, foi instituída uma lei proibindo o porte de espadas pelos samurais. Soma-se a isto a inflação e a queda na qualidade do aço produzido, piorando a qualidade das espadas.
Gendaito
Espadas feitas a partir da era Meiji são chamadas de espadas modernas ou Gendaito. Estas foram feitas na maior parte para os oficiais militares japoneses, para rituais e ocasiões públicas. Apesar de possuírem as mesmas formas de uma espada tradicional, não tinham as características principais do artesanato (feito a mão) e do aço não industrial.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Judô

Judô (português brasileiro) ou judo (português europeu) (柔道 Jūdō?, caminho suave, ou caminho da suavidade) é um desporto praticado como arte marcial, fundado por Jigoro Kano em 1882. Os seus principais objetivos são fortalecer o físico, a mente e o espírito de forma integrada, além de desenvolver técnicas de defesa pessoal. O judo teve uma grande aceitação em todo o mundo, pois Kano conseguiu reunir a essência dos principais estilos e escolas de jujutsu, arte marcial praticada pelos "bushi", ou cavaleiros durante o período Kamakura (1185-1333), a outras artes de luta praticadas no Oriente e fundi-las numa única e básica. O judô foi considerado desporto oficial no Japão nos finais do século XIX e a polícia nipônica introduziu-o nos seus treinos. O primeiro clube judoca na Europa foi o londrino Budokway (1918). A vestimenta utilizada nessa modalidade é o keikogi (quimono), que no judô recebe o nome de judogui e que, com o cinturão, forma o equipamento necessário à sua prática. O judogui que é composto pelo casaco (Wagui), pela calça (Shitabaki) e também pela faixa (obi), o judogui pode ser branco ou azul, ainda que o azul seja quase apenas utilizado para facilitar as arbitragens em campeonatos oficiais. Com milhares de praticantes e federações espalhados pelo mundo, o judô se tornou um dos esportes mais praticados, representando um nicho de mercado fiel e bem definido. Não restringindo seus adeptos a homens com vigor físico e estendendo seus ensinamentos para mulheres, crianças e idosos, o judô teve um aumento significativo no número de praticantes. Sua técnica utiliza basicamente a força e equilíbrio do oponente contra ele. Palavras ditas por mestre Kano para definir a luta: "arte em que se usa ao máximo a força física e espiritual". A vitória, ainda segundo seu mestre fundador, representa um fortalecimento espiritual.
História
O judô é uma arte marcial esportiva. Foi criada no Japão, em 1882, pelo professor de Educação Física Jigoro Kano. Ao criar esta arte marcial, Kano tinha como objetivo criar uma técnica de defesa pessoal, além de desenvolver o físico, espírito e mente. Esta arte marcial chegou ao Brasil no ano de 1922, em pleno período da imigração japonesa.
Decadência e renascimento do jujutsu
Em 1864, o comandante Matthew Perry, comandante de uma expedição naval americana, obrigou o Japão a abrir seus portos ao mundo com o tratado "Comércio, Paz e Amizade". Abrindo seus portos para o ocidente, surgiu na Terra do Sol Nascente uma tremenda transformação políticos-social, denominada Era Meiji ou "Renascença Japonesa", promovido pelo imperador Mitsuhyto Meiji (1868-1912). Anteriormente, o imperador exercia sobre o povo influência e poderes espirituais, porém com a "Renascença Japonesa" ele passou a ser o comandante de fato da Terra das Cerejeiras. Nessa dinâmica época de transformações e inovações radicais, os nipônicos ficaram ávidos por modernizar-se e adquirir a cultura ocidental. Tudo aquilo que era tradicional ficou um pouco esquecido, ou melhor, quase que totalmente renegado. Os mestres do jujutsu perderam as suas posições oficiais e viram-se forçados a procurar emprego em outros lugares. Muitos se voltaram então para a luta e exibição feitas. A ordem proibindo os samurais de usar espadas em 1876 assinalou um declínio em todas as artes marciais, e com o jujutsu não foi uma exceção. Tempos depois existiu uma onda contrária às inovações radicais. Havia terminado a onda chamada febre ocidental. O jujutsu foi recolocado na sua posição de arte marcial, tendo o seu valor reconhecido, principalmente pela polícia e pela marinha. Apesar de sua indiscutível eficiência para a defesa pessoal, o antigo jujutsu não podia ser considerado um esporte, muito menos ser praticado como tal. As regras não eram tratadas pedagogicamente, ou mesmo padronizadas. Os professores ensinavam às crianças os denominados golpes mortais e os traumatizantes e perigosos golpes baixos genitais. Sendo assim, quase sempre, os alunos menos experientes faixas brancas a machucavam-se seriamente. Valendo-se de sua superioridade física, os maiores chegavam a espancar os menores e mais fracos. Tudo isso fazia com que o jujutsu gozasse de uma certa impopularidade, especialmente entre as pessoas mais esclarecidas.
Nascimento
                                                                                                                        Jigoro Kano
Baseado nesses inconvenientes, um jovem que na adolescência se sentia inferiorizado sempre que precisava desprender muita energia física para resolver um problema, resolveu modificar o tradicional jujutsu, unificando os diferentes sistemas, transformando-o em um veículo de educação física. Pessoa de alta cultura geral, ele era um esforçado cultor de jujutsu. Procurando encontrar explicações científicas aos golpes, baseados em leis de dinâmica, ação e reação, selecionou e classificou as melhores técnicas dos vários sistemas de jujutsu,juntamente com os imigrantes japoneses dando ênfase principalmente no ataque aos pontos vitais e nas lutas de solo do estiloTenshin-Shinyo-Ryu e nos golpes de projeção do estilo Kito-Ryu. Inseriu princípios básicos como os do equilíbrio, da gravidade e do sistema de alavancas nas execuções dos movimentos lógicos. Estabeleceu normas a fim de tornar o aprendizado mais fácil e racional. Idealizou regras para um confronto esportivo, baseado no espírito do ippon-shobu(luta pelo ponto completo). Procurou demonstrar que o jujutsu aprimorado, além de sua utilização para defesa pessoal, poderia oferecer aos praticantes, extraordinárias oportunidades no sentido de serem superadas as próprias limitações do ser humano. Jigoro Kano tentava dar maior expressão à lenda de origem do estilo Yoshin-Ryu (Escola do Coração de Salgueiro), que se baseava no princípio de "ceder para vencer", utilizando a não resistência para controlar, desequilibrar e vencer o adversário com o mínimo de esforço. Em um combate, o praticante tinha como o único objetivo a vitória. No entender de Kano, isso era totalmente errado. Uma atividade física deveria servir, em primeiro lugar, para a educação global dos praticantes. Os cultores profissionais do jujutsu não aceitavam tal concepção. Para eles, o verdadeiro espírito do jujutsu era o shin-ken-shobu (vencer ou morrer, lutar até a morte). Por suas idéias, Jigoro Kano era desafiado e desacatado insistentemente pelos educadores da época, mas não mediu esforços para idealizar o novo jujutsu, diferente, mais completo, mais eficaz, muito mais objetivo e racional, denominado de judô. Chamando o seu novo sistema de judô, ele pretendeu elevar o termo "jutsu" (arte ou prática) para "do", ou seja, para caminho ou via, dando a entender que não se tratava apenas de mudança de nomes, mas que o seu novo sistema repousava sobre uma fundamentação filosófica. Em fevereiro de 1882, no templo de Eishoji de Kita Inaritcho, bairro de Shimoya em Tóquio, Jigoro Kano inaugura sua primeira escola de Judô, denominada Kodokan (Instituto do Caminho da Fraternidade), já que "Ko" significa fraternidade, irmandade; "Do" significa caminho, via; e "Kan", instituto.
No Brasil
No fim da década de 1910 e início da década seguinte, Takaharu (ou Takaji) Saigo, 4° dan de judô, ensinava a arte na cidade de São Paulo, em sua academia localizada na Rua Brigadeiro Luiz Antonio. Em 1922 e 1923, ele chegou a fazer demonstrações da arte perante personalidades políticas e militares da época e teve alunos tanto japoneses quanto não japoneses. Diz-se que Takaharu Saigo era neto de Takamori Saigo, um dos homens mais importantes daRestauração Meiji no Japão. O conde Coma (Mitsuyo Maeda), como também era conhecido, fez sua primeira apresentação em Porto Alegre. Partiu para as demonstrações pelos Estados do Rio de Janeiro e São Paulo, transferindo-se depois para o Pará em outubro de 1925. onde popularizou seus conhecimentos dessa arte. Outros mestres também faziam exibições e aceitavam desafios em locais públicos. Mas foi um início difícil para um esporte que viria a se tornar tão difundido. Um dos primeiros torneios de judô foi realizado no dia 01 de maio de 1931 na cidade de Araçatuba, estado de São Paulo. Organizado por Yuzo Abematsu, 4o dan e ex-professor de judô da Escola Superior de Agronomia de Kagoshima, da Segunda Escola de Ensino Médio e do Batalhão da Polícia do Exército do Japão, o torneio incluiu lutas contra boxe e luta greco-romana. O judô no Brasil passou a ser organizado e largamente difundido a partir de agosto de 1933, com a fundação da Hakkoku Jûkendô Renmei, a Federação de Judô e Kendô do Brasil, por ocasião do 25o aniversário da imigração japonesa ao Brasil. Do lado do judô, foram membros fundadores as seguintes personalidades: Katsutoshi Naito, Tatsuo Okochi, Teruo Sakata e Zensaku Yoshida. Nessa época, além dos quatro mestres supracitados, o judô no Brasil contava também com o mestre Tomiyo Tomikawa e com Shigejiro Fukuoka, mestre de jujutsu tradicional. Estes seis mestres eram os principais expoentes do judô na época, dentro do âmbito da Hakkoku Jûkendô Renmei. Um fator relevante na história do judô foi a chegada ao país de um grupo de nipônicos em 1938. Tinham como líder o professor Ryuzo Ogawa e fundaram a Academia Ogawa, com o objetivo de aprimorar a cultura física, moral e espiritual, por meio do esporte do quimono. Apesar de Ryuzo Ogawa ser um mestre de jujutsu tradicional, chamou de Judô a arte marcial que lecionava quando este nome se popularizou. Portanto, ensinava um estilo que não era exatamente o Kodokan Judo, o que não diminui sua enorme contribuição ao começo do Judô no Brasil. Daí por diante disseminaram-se a cultura e os ensinamentos do mestre Jigoro Kano e em 18 de março de 1969 era fundada aConfederação Brasileira de Judô, sendo reconhecida por decreto em 1972. Hoje em dia o judô é ensinado em academias e clubes e reconhecido como um esporte saudável que não está relacionado à violência. Esse processo culminou com a grande oferta de bons lutadores brasileiros atualmente, tendo conseguido diversos títulos internacionais.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Jiu-jitsu

Jiu-jitsu, ou jiu-jítsu (em japonês: transl. jū, "suavidade", "brandura", e jutsu, "arte", "técnica"), é uma arte marcial japonesa, que utiliza como principais técnicas golpes de alavancas, torções e pressões para derrubar e dominar um oponente. Sua origem, como sucede com quase todas as artes marciais vetustas, não pode ser apontada com total certeza, o que se sabe em claro é que seu principal ambiente de desenvolvimento e refino foi nas escolas de samurais, a casta guerreira do Japão. Contudo, outros levantam a hipótese de ser originária, posto que por influência apenas, desde a Índia. A finalidade e corolário de sua criação foi a situação fática na qual, no campo de batalha ou durante qualquer enfrentamento, um samurai pode acabar sem suas espadas ou lanças, daí que ele precisava de um método de defesa. Precipuamente, os golpes concentram-se em projeções (nage waza) e luxações e torções (kansetsu waza), haja vista que os golpes traumáticos não se mostravam eficazes, pois, no ambiente de luta, os samurais encaminhavam-se às batalhas usando de armaduras. A bem da verdade, o guerreiro feudal japonês deveria estudar inúmeras artes marciais, porquanto deveria estar preparado para quaisquer circunstâncias, pois deveria defender não somente sua vida mas a de seu daimiô. O romaji jujútsu advém dos kanji jū, que quer dizer suave ou macio, e jutsu , arte ou ofício. Isso implica dizer que a tal «arte suave» nasceu como contraponto às artes rígidas, que eram executadas com a espada, kenjutsu, por exemplo. E, a despeito de ser reconhecido como utilizadora de técnicas de agarramento, o seu repertório de golpes de controle (gyaku waza) e submissão (katame waza) incluem também golpes traumáticos (ate waza). O que vai dizer quais golpes será estudado pela escola, ou linhagem, que se aprende. Basicamente, no jiu-jitsu usa-se a força (própria e, quando possível, do próprio adversário) em alavancas, o que possibilita que um lutador, mesmo sendo menor que o oponente, consiga vencer. No chão, com as técnicas de estrangulamento e pressão sobre articulações, é possível submeter o adversário fazendo-o desistir da luta (competitivamente), ou (em luta real) fazendo-o desmaiar ou quebrando-lhe uma articulação.
O jiu-jitsu histórico, da mesma forma que sucedeu com o chuan fa chinês e com o caratê oquinauense, ramificou-se numa miríade de estilos, que vão do Takenuchi-ryu, que dá ênfase a socos e chutes e muito se assemelha ao caratê, ao Daito-ryu, que privilegia golpes de controlo do adversário e das energias em jogo e foi dar origem ao aiquidô. No decorrer desse processo evolutivo, a arte marcial foi incorporando novos caracteres e se aproximando mais do lado filosófico, que no passado fez surgir na cultura dos samurais uma série de conceitos e rituais, e acabou por dar origem a um estilo moderno, o Kodokan jujútsu, que logo se tornou o judô, substituindo o kanji «jutsu» por «dō» (caminho), ou tao, em chinês.
História
A arte marcial conhecida como jujútsu não foi assim chamada senão por volta do século XVII, quando o termo foi composto para designar no Japão aquelas habilidades de luta que não envolviam a utilização de armas. Nesse contexto, a denominação acabou por reunir sob sua umbrela uma grande variedade de estilos de combate, que se tinham desenvolvido até aquele momento. Não se sabe dentro de qual cércea o jujútsu foi formado numa arte marcial, por outro lado não se pode apontar em qual momento historio esse processo iniciou-se nem qual foi a semente. É aceito, contudo, o facto de que as culturas que entraram em contato intercambiavam elementos e dentro desses elementos estavam as disciplinas marciais. Destarte, posto que não formalmente, existiu esse contubérnio porque havia a migração de pessoas, comerciantes, pescadores, agentes diplomáticos etc. Ou, ainda, durante os conflitos e encontros bélicos em que se envolveu o Japão, porque, depois dum embate, vencedores e vencidos, como consequência lógica, buscavam aprender e apropriar-se daqueles métodos eficazes no campo de batalha.Índia, China, Mongólia e demais países da região, vez por outra, entraram em conflito, pelo que as artes marciais eram um importante aspecto de suas culturas. De qualquer forma, a despeito de os enfrentamentos darem-se tendo como atores forças militares, armadas, a luta desarmada formou-se e não somente composta por golpes traumáticos mas com golpes de arremesso e imobilização, como era o jiaodixi mongol. Na China, no Templo Shaolin, surgia ochuan fa , isto é, o kung fu (denominação mais comum no Ocidente), como arte marcial mas também esporte e condicionamento físico, que, na verdade, é mais um gênero, pois sob essa denominação coexiste uma grande miríade de estilos variados, que praticam exercícios e golpes também muito variados, como maior ou menor ênfase em determinado conjunto de movimentos ou forma de os aplicar.
Recuando um pouco, há menção de que, entre os séculos III e VIII AEC, uma arte de combate corpo-a-corpo sabe-se que era praticada na China e essa arte era impregnada de técnicas similares às do jujútsu. Algumas das habilidades treinadas eram, sem dúvida, golpes de luxação, controle e projeção. Tanto que se desenvolveu uma arte marcial particular, a qinna, e nesta podem ser encontradas as raízes do que viriam a ser o judô e o aiquidô. Pero o conjunto chamado de qin'na era mais propriamente uma das disciplinas marciais que compunham o Kung fu de Shaolin, ou seja, esse tipo de golpe era praticado como mais uma das habilidades que os monges deveriam exercitar. Com o tempo, porém, passou a trilhar uma via mais ou menos particular: dependendo de onde se treinava (um mosteiro, por exemplo), o instrutor (ou mestre encarregado) dava maior ou menor a certo currículo, em decorrência de suas experiências pessoais ou dos mestres anteriores. Certas técnicas e/ou artes marciais parecem ter migrado às terras nipônicas desde Índia e China, principalmente, já em meados do segundo século AEC, sendo adaptadas ao feitio local, com o descarte de movimentos plásticos e, eventualmente, desnecessários, para a compilação de conteúdo mais pragmático e voltado ao resultado eficaz num ambiente de conflito. No Japão feudal, que grosso modo foi marcado pela predominância de uma classe guerreira, os samurais, o modo de vida estabeleceu-se para atribuir a cada classe social uma função típica e essencial para o funcionamento como um todo do sistema, mais ou menos enrijecido. Deste modo, a sociedade foi organizada tendo como o topo a figura do Imperador, que detinha tanto os poderes político e militar quanto a supremacia religiosa, mas, dependendo da época, esse poder militar e consequentemente o político era assumido pelo xogum. Em nome desde, e eventualmente do imperador, existiam os daimiôs, os senhores feudais propriamente ditos, e estes controlavam um séquito de samurais. Abaixo destes, quando sem um líder, vinham os ronin. Sustentando a economia, vinham os camponeses, a grande maioria, que incluía desde os agricultores e pecuaristas aos pescadores e demais pessoas sem posses. Depois, vinham os artesãos que, apesar de fazerem os utensílios e ferramentas usados pelos demais, porque não produziam alimento eram malvistos. Por fim, vinham os mercadores.
Nesta cércea, a despeito de sua condição privilegiada, na qual um samurai não trabalhava e era sustentado por um senhor, e as classes abaixo de si deviam-lhe respeito e deferência no cotidiano, durante os momentos em que não eram necessárias suas habilidades de combate, a eles não era permitido procurar outras atividades que não as próprias de sua classe/condição. Os guerreiros japoneses viviam para um único propósito: atuar no campo de batalha. Bem assim, praticavam diversas disciplinas: kenjutsu (manuseio de espada - katana), battojutsu (corte com a espada), iaijutsu (saque da espada), kyujutsu (emprego de arco), bojutsu (emprego de bastões), naginatajutsu (emprego da alabarda — naginata), sojutsu (emprego da lança - yari) e a luta desarmada. Entrementes, a luta desarmada não recebia o nome jujútsu ainda, mas se desenvolveu como as demais disciplinas em escolas ou linhagens particulares, conhecidas por koryu oukobudo. Nesse meio tempo, as lutas desarmadas (ou que se tornaria o jujútsu) eram identificadas por vários nomes, como torite, kumiuchi, taijutsu, kogusoku koshinomawari ou wajutsu. O combate corpo-a-corpo desarmado evoluiu, portanto, como consequência natural de um processo de aperfeiçoamento. Esse movimento repetiu-se em diversas paragens, no Japão e noutros países, tal como sucedeu em Oquinaua, onde era praticada uma arte marciais muito próxima em características ao jujútsu, o gotende, que era típica da elite do reino de Ryukyu e conhecida como exclusiva da corte e muitas vezes referida como torite. O termo jujútsu não foi cunhado senão até o século XVI, quando surgiu o koryu Takenouchi-ryu, reunindo os golpes aplicados com as mãos desnudas, uma arte suave, e para diferenciar das disciplinas consideradas rígidas. Ou seja, além das habilidades com armas, como a katana ou a jitte, que seriam as artes duras ou rígidas, ou kojutsu, que visavam provocar uma ferida cortante, contundente, perfurante etc., dever-se-ia estudar as lutas sem armas, que seriam por sua vez as artes suaves, ou jiu-jitsu, que não buscavam exatamente magoar seriamente o adversário mas subjugá-lo com o menor gasto de energia.
Houve vários fatores que influíram no surgimento da arte. Durante Idade média, Idade moderna, quando não havia guerras ou querelas nas quais se necessitava dos préstimos dos samurais, estes eram vistos ou se sabia de seu envolvimento em confusões e maus hábitos, como a embriaguez. Esse tipo de acontecimento veio tornar-se mais comum e aparente por ocasião do Xogunato Tokugawa, no século XV, quando, após o estabelecimento de um governo central forte, houve um longo período sem disputas maiores. Se os maus comportamentos dos samurais eram tolerados as épocas anteriores, o mesmo não se deu com a aproximação da Idade contemporânea. Sucedeu, contudo, que sobreveio a Restauração Meiji, pelo que o último shogun perdeu prestígio e poder político-militar e com esse advento todo o modo de vida pretérito, a restarem em posição marginal tudo aquilo que o simbolizava: os samurais desceram na escala social. Os acontecimentos daquele período foram o último catalisador. Por fim, durante a transição do século XIX ao XX, um mestre de jiu-jitsu com reconhecimento veio a modificar a arte marcial, enxerindo-lhe e dando maior relevo a princípios filosóficos e pedagógicos: mestre Jigoro Kano criou o que, por motivos políticos, ficou conhecido como judô. E outro grande mestre, Morihei Ueshiba, reuniu seus conhecimentos de jiu-jítsu, tendo por espeque o estilo Daito-ryu, e, de modo expletivo, a outras artes marciais e formou uma nova modalidade, o aiquidô, que é uma forma de jujútsu bem mais suave que o judô, com ênfase no controle da energia (ki), conceitos sobre a maneira dessa energia fluir, como dosen e tai sabaki, e projeções focadas mais no próprio adversário. Além de evoluir na direção de modalidades neófitas, o jiu-jitsu, no começo do século XX, sofreu grande influência do caratê, pelo que notáveis mestres de jiu-jitsu passaram a praticar e estudar profundamente a arte oquinauense, tornando com o tempo grandes mestres também nas duas vertentes, como foi o caso dos mestres Yasuhiro Konishi e Hironori Otsuka, que criaram respectivamente dois estilos de Karatê, Shindo jinen ryu e Wado-ryu, que mesclam aspectos de ambas. Não se pode olvidar ainda que o mestre Gichin Funakoshi, maior divulgador do caratê no Japão, ensinou seu estilo no centro Kodokan e eventualmente estudou com Jigoro Kano, e até adoptou algumas técnicas de nage waza.